quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eu sei quem me matou.

Eu sei quem me matou.
Foi essa mania de querer ser mais que os outros, de andar de cabeça erguida além do necessário, de querer mandar, de ser independente.
Esse orgulho bobo, esse mal-humor permanente, esse olhar ambiguo e indecente.
O excesso de isolamento, o amar demais a pessoa errada, e então, trancar o coração.
O passeio noturno na chuva, a paixão pelos cemitérios, a adoração por tragédias.
Esse rosto sério, o lábio amargo, envelhecido antes do tempo.
Essa acomodação, a interrupção dos sonhos.
Isso me matou.
O próprio veneno, injetado aos poucos, sendo criado pelo sofrimento da vida e a auto-piedade.
O perigo para mim mesmo, as lágrimas contidas, engolidas a força. A falta de expressão e de sentimentos.
Minha força, sugada pelas pessoas que resolvi abandonar pelo caminho. O ódio por elas que me fez odiar cada dia mais a mim mesmo.
O velho coração aos pedaços, que conservava os desejos queimando, enquanto a imaginação conservava ilusões...
O rosto enganador, que ocultava o que esse falso coração sabia.
E eu estava morto. Eu me matei.
Um suicídio pior e mais doloroso que qualquer outro.
Porque eu ainda estou vivo. O terrível coração bate e o maldito sangue continua correndo nas veias.
Os dias continuam passando e eu não vejo muita diferença.
Fui eu quem morri, mais uma vez, quando precisava tanto que alguém morresse por mim.

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